Visita ao Museu do Amanhã: vale a pena?

Pode-se facilmente substituir a indagação inicial por “vale o esforço?”, a ida ao museu de ciências (Museu do Amanhã)  inaugurado recentemente na Praça Mauá, no Rio de Janeiro, é indubitavelmente cansativa. Mas observamos aqui a experiência como um todo, englobando desde a chegada até a visitação das exposições em si do local.

A primeira impressão em si é uma grande exclamação arquitetônica, o edifício é surpreendente, de cor branca e uma atenção clara e elegante às formas geométricas, com um belo toque futurista. Esse design me soou como uma harmonização de encaixe entre as ciências exatas e a arte.

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Parte frontal do Museu.

Depois dessa etapa, o foco foi para a espera. Havia visto uma ou outra notícias em relação a entrada do Museu ser um tanto demorada por conta de filas, mas o encontrado foi ainda uma grande surpresa. Chegada na frente: 11:20 h, entrada: por volta de 15:00 h. Como o local tem abertura às 10:00, o achado era que chegar por voltas das 11:00 era cedo o suficiente. Sumo engano, aparentemente só quem chegou por volta das 8:30…9:00…não encarou uma espera exorbitante. Com o bônus de encarar os horários de temperatura mais quentes em pleno terreno carioca, com pouquíssimas sombras e zero de mobilização da administração para oferecer sequer água a quem esteve durante esse tempo no lado de fora. É bem difícil não desanimar nessa parte.
Segundo a página do Facebook do Museu, o horário de visitação será alterado durante o verão para que os visitantes não tenham mais que passar por esse desgaste devido ao Sol e já é um ponto positivo. Mas ainda há negligência em relação a hidratação e socorro àqueles que passam mal (houveram alguns casos e bastante dificuldade de contatar Samu ou alguém da equipe que pudesse oferecer suporte).

Maior sufoco superado. No edifício já conta-se com ar-condicionado em temperatura agradável e atendimento impecável dos atendentes da bilheteria, a atenção dispensada nem parecia de quem recepcionou dezenas desde cedo e ainda tinha muito trabalho por vir. Questões foram ouvidas e respondidas com calma e todos os detalhes necessários oferecidos, tudo com bastante gentileza, mas sem estender muito (causaria grande incômodo aos demais na fila).

Saguão de entrada do Museu e o Globo que prende um bom tempo da sua atenção.

Saguão de entrada do Museu e o Globo que prende um bom tempo da sua atenção.

Quanto ao conteúdo das exposições? Excelente. A ciência não foi mostrada como algo distante e alcançável para poucos, pelo contrário! Questões essenciais, e que podem soar bem complexas para alguns, como a origem do Cosmos foi abordada em linguagem simples, nesse caso contando ainda com uma exibição, em uma sala de cinema 360 graus. O que não faltou nas amostras também, aliás, foi o uso da tecnologia, muito bem explorada. E não foi economizada a ideia de que todos fazem parte do processo de avanço. E sustentável! Mudanças climáticas entre outros grandes problemas ambientais foram colocados em pauta, mostrando ao visitante que ele está integrado naquilo e instiga a pensar em soluções.

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O Laboratório de atividades mostra o passo-a-passo de pequenas inovações que podem ser feitas pelos visitantes, como construção de luminárias caseiras ou o processo de fabricação de cerveja, tudo ensinado como uma espécie de mini-curso, mostrado por guias de lá. Acredito que possamos aguardar muitas oportunidades ainda mais bacanas desse setor.

Modelo de luminárias que são ensinadas a fazer em uma das oficinas do Laboratório de Atividades.

Modelo de luminárias que são ensinadas a fazer em uma das oficinas do Laboratório de Atividades.

Em suma, colocando de lado questões políticas e super-faturamentos, o Museu do Amanhã é uma instituição bem-vinda a Cidade Maravilhosa, que ainda se encontra escassa no âmbito de incentivo científico, mas deu esse grande passo que podemos reconhecer. Visita recomendada, mas tomando-se bastante cautela em relação a horário, preparação para enfrentar filas e longa espera e manter a mente aberta para questionamentos em relação a um amanhã melhor.

Iniciativas como essa deveriam ajudar outros museus, como o de Língua Portuguesa em São Paulo, que teve um recente incêndio que destruiu parte do acerto, a serem mais modernos.

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