Trabalho para os presidiários brasileiros: é possível?

O indivíduo que se encontra preso é considerado em débito com a sociedade. Apesar de ser um tema expressamente delicado (e mesmo pessoal) do ponto de vista moral, sob a ótica financeira é possível falarmos dos presidiários no mínimo diminuir seus custos para a população. Além ainda ter a opção de promover renda para seus familiares, dependentes sem vínculo com o crime e que também acabam por prejudicados pelo mesmo.

Existe uma grande polêmica em torno de como deve ser realizado o tratamento de indivíduos em cárcere. Encontramos defesas que vão desde o extremo “bandido bom é bandido morto” até inclusões sociais que colocam aquele que cometeu crimes como uma vítima da sociedade. O posicionamento do trabalho realizado por presidiários não precisa se ater a um ou outro desses conceitos. Apenas pode-se considerar que aqueles que arcam com os gastos de manutenção do sistema carcerário é a própria população e, independente da questão moral de aceitação do passado criminal, uma redução de gastos em um país com tão altas taxas de impostos é mais do que bem-vinda.

E quem sabe uma mudança de comportamento?

Por outro lado ainda, deve-se ter em mente que o presidiário eventualmente se encontrará novamente em liberdade. Então o tempo em privação da mesma pode ser uma oportunidade para um tratamento de seu comportamento destrutivo e direcionamento à atividades produtivas.

Detentos trabalhando. Oportunidade oferecida no Ceresp, em Juiz de Fora. Fonte: G1

Detentos trabalhando. Oportunidade oferecida no Ceresp, em Juiz de Fora.
Fonte: G1

É claro que a simples oportunidade alternativa em si pode ser sumariamente descartada. E que não deve se ignorar que esse tipo de mudança comportamental por si só já é o indício denecessidade de acompanhamento psicológico. Mas essa necessidade não necessariamente anula a importância da oportunidade empregatícia. Bem estruturada, seria na verdade uma grande aliada.
Com tal inserção, o indivíduo em restrição de liberdade tem a chance de desenvolver uma atividade remunerada. O que é uma promoção de alternativa às ilícitas. Tais que muitos já estão acostumados a considerar como única opção.

3 comments for “Trabalho para os presidiários brasileiros: é possível?

  1. Raphael Freires Pessoa
    20/08/2016 at 8:11 am

    Além do trabalho em si, um investimento num método de ensino, profissionalizante ou meramente acadêmico, seria, no mínimo, interessante, já que uma significativa parcela da população carcerária não teve (ou não quis ter) acesso aos estudos e não compreendem a importância dos mesmos para a sua vida pessoal e em sociedade.
    Um indivíduo que passa a ver o conhecimento não como uma arma que outrem usam contra ele, mas sim como instrumento em que, se bem utilizado, propicia uma série de desenvolvimentos e benefícios passa a ter uma outra visão do mundo como um todo e como agir nele.
    O pensamento em que o criminoso passa a ser o sujeito que mereça somente uma repressão de “deva pagar pelo que fez” acaba tornando a pena como um fim em si mesmo, onde apenas o “castigo” é tido como o único caminho a se propor e que o tempo no dito castigo vai fazer com que o indivíduo passe a melhorar seu comportamento. A nocividade em tal pensamento se faz presente com a contínua e sempre crescente onda de violência, que por sua vez acaba por promover uma maior sede de vingança (justiça, alguns dizem), o que acaba por permitir contextos em que certas políticas mais agressivas e extremas se propaguem. Assim, uma onda de “toma lá, dá cá” se transforma num ciclo vicioso e danoso para a sociedade.

  2. Raphael Freires Pessoa
    20/08/2016 at 8:17 am

    Em relação a parcela que teve acesso à educação, e usa o conhecimento obtido de forma nefasta, além daqueles que conscientemente se dispõem e dedicam a uma vida de crimes, é um caso apartado a se pensar e agir sobre (ou contra, quem sabe).
    O comportamento humano é um tanto quando complicado de se entender, considerando tantas variações e possibilidades que, a cada dia, parece sempre inovar.
    Mas, sem dúvida, uma ótima iniciativa seria tentar promover, apesar de tantos pesares, um sistema que de fato tente resgatar (ou melhor orientar) pessoas que, independente de motivos, cometeram atos destrutivos.

  3. Gabriel
    20/08/2016 at 8:55 pm

    Manter atividades regulares e trabalhar a mente é o principal meio de fazer com que as pessoas não fiquem vinculadas com o passado. É uma forma de fazer com que o detento se sinta útil de alguma forma, trazendo o conforto mental necessário para que as atitudes que ele teve no passado não atrapalhe seus pensamentos atuais trazendo ódio e revolta, desse jeito o trabalho e o estudo ajudaria a pessoa a se incluir na sociedade.

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