Senado aprova o uso da fosfoetanolamina, a “pílula do câncer”

A esperança pela cura do câncer é uma realidade para muitos portadores dessa doença, seja no Brasil ou em qualquer outra parte do mundo. O surgimento de um medicamento para combater os tumores seria uma espécie de revolução no campo médico, pois hoje o tratamento efetuado contra as células cancerígenas apresenta pequena taxa de eficácia. Nesse contexto, a utilização de uma pílula que anularia os efeitos das células tumorais seria vital para a vida dos que recebem o diagnóstico. Essa pílula seria a fosfoetanolamina, a qual apresenta opiniões diferentes em relação ao seu uso. No dia 22, o Senado aprovou o uso da substância.

A fosfoetanolamina é uma esperança para portadores de câncer, os quais anseiam por um remédio eficaz

A fosfoetanolamina é uma esperança para portadores de câncer, os quais anseiam por um remédio eficaz

A história da fosfoetanolamina aparece a partir das pesquisas de um professor pesquisador aposentado, Gilberto Orivaldo Chierice, o qual desenvolveu um processo de síntese da substância no tempo em que trabalhava no Instituto de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP), na década de 70. A partir de suas pesquisas, obteve-se um medicamento que reacendeu a esperança da luta contra o câncer, mas que ainda não tinha o aparato científico necessário para ser tratado como referência do tratamento. Entretanto, mesmo sem exames comprobatórios do poder da substância, o IQSC-USP passou a distribuir a pílula de forma gratuita para aqueles que a necessitavam, fato esse que gerou repercussão nacional e até a proibição do seu uso no Brasil.

Senado autorizou o uso da substância, que estava sendo proibida desde 2014

Senado autorizou o uso da substância, que estava sendo proibida desde 2014

No entanto, em decisão do Senado do dia 22, a pílula pode ser utilizada por pacientes com câncer, mesmo sem os estudos necessários e o registro da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Para isso, é necessário que o paciente tenha o laudo médico e assine um termo de responsabilidade e consentimento. O Senado também aponta que está autorizada a importação, produção, prescrição e posse da substância, enquanto estiverem sendo testados seus efeitos, ou seja, em caráter excepcional. Alguns parentes de pacientes só conseguiam o medicamento, até a data de hoje, através de liminares na justiça.

O pesquisador Gilberto Chierice iniciou as pesquisas com a substância, a qual é refutada pela OMS e por oncologistas

O pesquisador Gilberto Chierice iniciou as pesquisas com a substância, a qual é refutada pela OMS e por oncologistas

A demora no estudo dos possíveis efeitos da fosfoetanolamina é uma questão a qual é controversa para muitas pessoas. A eficácia da pílula é questionada por diversos estudiosos, mas apontada como um fator de esperança para quem está em um “beco sem saúda”. Estudos iniciais da substância, realizados recentemente, indicaram que seu poder de cura contra o câncer é baixo, e que somente um dos diversos produtos químicos presentes na pílula realmente teriam efeitos citotóxica ou antiproliferativa. A OMS, Organização Mundial da Saúde, não recomenda a utilização do medicamento, assim como muitos oncologistas são contrários ao uso da fosfoetanolamina.

Os estudos devem ser realizados para a comprovação da eficácia da substância, mas devem ser realizados de forma correta e desvinculados de interesses

Os estudos devem ser realizados para a comprovação da eficácia da substância, mas devem ser realizados de forma correta e desvinculados de interesses

O fato é que ainda há muito a ser discutido acerca da chamada “pílula do câncer”, e, nesse meio, há a indústria farmacêutica, a qual não deseja perder seu lucro, conseguido através de medicamentos de alto valor que são encontrados no mercado atualmente, para uma substância que é distribuída de forma gratuita. Nesse caso, os interesses econômicos ganham muito mais notoriedade do que a própria vida, a qual está em um processo com poucas saídas e muitas incertezas, no caso de pacientes portadores do câncer. Os estudos são necessários para a comprovação da eficácia, mas também é necessário que haja, também, um real motivação para a descoberta de uma substância revolucionária, mas que pode trazer prejuízos para grandes empresas multinacionais.

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