Rio confirma quase 4 mil casos de dengue só em janeiro

Mais um ano vemos o Brasil atravessar o verão com hospitais cheios de casos de dengue, virou recorrente essa imagem. No Rio de Janeiro, em especial, esse início de ano chamou a atenção pela quantidade de casos da doença, quase 4 mil já confirmados. Visto que, no mesmo período do ano passado o número de casos era de 2.584 casos, a situação é preocupante na cidade.dengueMais preocupante que a situação, é o não investimento do governo com a mesma. O tão ouvido “corte de gastos” para driblar a crise, infelizmente, só ecoa nas necessidades básicas da população, dentre elas a saúde. Para o combate ao mosquito Aedes aegypti não deve ser medido esforços, lembrando que o mesmo vírus já provocou diversas mortes e epidemias durante os anos no país. Mesmo assim, a situação não é encarada como importante pelas autoridades que seguem cortando investimentos na área.

Nem terminou o mês de janeiro, e até o dia 25 já se tem contabilizado esse alto número de casos da doença. Como na foto mostra, na manhã desta terça-feira, agentes da Secretaria Municipal de Saúde fizeram uma ação de fiscalização e combate ao mosquito, lançando inseticida no Sambódromo e no seu entorno, na Região Central da cidade. Segundo a própria Secretaria, também foram feitas ações na Cidade do Samba e nas quadras das escolas, e com a proximidade do carnaval, visitas intensivas como essas estão sendo feitas.

O fato mais curioso disso tudo é, porque as vistorias estão acontecendo apenas próximos aos locais que sediaram o Carnaval? Se o surto da doença acontece incomparavelmente maior nos subúrbios e bairros residenciais da cidade, fazer ações de prevenção na zona central da cidade não atingirá muitos resultados. Porém, como é de costume, às atitudes são tomadas apenas próximo a um evento mundialmente conhecido ou de alto grau de relevância para a Prefeitura. Outro evento que certamente receberá um “carinho especial” de combate, será nos locais que sediarão às Olimpíadas.

É extremamente indignante para todos moradores, não só do Rio de Janeiro, mas de todo o país, que atitudes como essas ocorram. Um desleixo anual de todas as necessidades da população, sejam elas na saúde, educação ou transporte, e uma preocupação exacerbada com as mesmas nos períodos previamente estabelecidos, como o caso do carnaval. Se moramos num país que deseja se tornar exemplo, que deseja melhorar e sair dessa crise que se encontra, é muito difícil isso acontecer pensando em melhorar apenas para os turistas ou para fingir uma imagem falsa.

Deve-se ter investimento com a dengue, principalmente no momento mais crítico da doença, sem que exista um evento para que isso ocorra. É nos subúrbios que o vírus se pluraliza, e é lá que precisa se ter combate, o sambódromo também necessita disso, mas não só lá. O evento tem que ser bem organizado, mas a cidade, sobretudo, deve ser organizada. Se houvesse uma organização, uma divisão justa de onde focar os investimentos e os locais que mais registraram casos da doença, não teríamos tantos locais com surtos incontroláveis da doença. Se houvesse justiça nas decisões, a cidade e o país estariam avançados em todos os fatores.

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