Legado da copa: o VLT de Cuiabá

O principal questionamento acerca dos gastos do Brasil com a Copa do Mundo era em relação aos altos valores dos estádios construídos para a competição de 2014. Dois anos após toda a festa e as obras, alguns estádios estão sendo utilizados para campeonatos, outros nem tanto, mas há uma “justificativa” para o gasto exorbitante realizado na Copa. Entretanto, a segunda obra mais cara dessa competição não se trata de um estádio, tampouco de algo que está em uso: o VLT de Cuiabá.

vlt de cuiabáA obra em Mato Grosso, que deveria estar pronta até a Copa do Mundo de 2014, ainda não está nem na metade dos seus andamentos. Pior do que isso: já totaliza um gasto de mais de R$ 1 bilhão e ainda não chegou nem perto de seu fim. Para chegar ao término, é estimado que sejam necessários cerca de mais R$630 milhões, totalizando um custo de mais de R$1,5 bilhão. A obra tem muito do conhecido “submundo” das realizações públicas brasileiras: corrupção, propina, má execução técnica e o superfaturamento, talvez o mais conhecido.

silval barbosa e vltO governante que queria trazer a “mobilidade” ao seu estado, Silval Barbosa, comprou 40 composições do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) cada qual com 7 vagões, totalizando 280 vagões. Desses, somente eram necessárias 32 composições, o que totalizaria 224 vagões, mas os 56 vagões restantes ficaram como dinheiro jogado pelo ralo. Não é por menos que Barbosa hoje se encontra preso e é investigado pela Polícia Federal por inúmeros crimes contra a máquina pública. Outro político que era um dos principais defensores do VLT de Cuiabá, José Riva, que em 2011 (época do projeto) era o presidente da Assembleia Legislativa, também está preso no Centro de Custódia de Cuiabá.

obra vltA euforia causada pela Copa do Mundo e a possibilidade de obras faraônicas para o estados trouxe a possibilidade de enriquecimento ilícito para inúmeros políticos como resultado do superfaturamento e as desnecessárias obras como plano de fundo para benefícios próprios. O VLT de Cuiabá não é solitário nessas obras, mas é a que mais fica evidenciada de como o dinheiro público é tratado de forma sórdida e infeliz no Brasil. Pior do que isso é que sabemos de muito menos do que ocorre nas vias reais, sendo o rastro de lama bem mais profundo do que se pode imaginar. Isso não só em Cuiabá, nas obras de grande cunho, mas nas pequenas e médias que ocorrem por todo o Brasil.

outdoor do vlt de cuiabaAs obras em Mato Grosso estão paradas desde dezembro de 2014 devido às irregularidades. O atual governo tem até o final de março para realizar um relatório de viabilidade da obra, incluindo um estudo técnico efetivo para a implantação do modal. Com isso, espera-se que a obra seja algo para ser útil à população da cidade de Cuiabá e não algo causado pela espontaneidade de uma Copa do Muno, ocasionando benefícios ilícitos para políticos e formas de alavancar suas imagens, como acontece por todo o Brasil. Apesar dos inúmeros gastos e da extensa demora, o VLT de Cuiabá deverá sair (daqui a alguns anos…) e que sirva de exemplo a não ser feito do legado da Copa.

 

 

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