Jovem é assassinada quando voltava de cursinho

A violência é uma companheira de inúmeras cidades. Já foi o tempo em que somente as grandes cidades sofriam com o tráfico, homicídios e roubos. Hoje, cidades de médio e pequeno porte sofrem com a violência, a qual está manifesta em todos os horários e pela maioria dos bairros, sejam eles de classe média, alta ou baixa. Pior do que isso é quando afeta a própria capacidade de poder ajudar outras pessoas, como ocorreu na última segunda, 23, em Goiânia.

estudanteEra a noite de uma segunda feira cansativa, após um dia inteiro de estudo para a estudante Nathália Araújo Zacatelli, de 18 anos. Sua aula havia acabado às 17h40, mas a jovem ficou até um pouco mais tarde para estudar, tal qual fazem inúmeros alunos que almejam passar para o ensino público superior. No entanto, sua sorte foi diferente de todos os outros alunos que voltariam na manhã seguinte para aprender um pouco mais: foi mais uma vítima da violência, sendo assassinada com um tiro por um casal. O motivo: o celular da vítima, levado pelos bandidos, que estavam em uma moto.

setor maristaA jovem era de Rondônia e havia se mudado há pouco tempo para estudar em Goiás, assim como fazem inúmeros jovens que desejam melhorar de vida por todo o Brasil. Ela queria ser médica, auxiliar a vida de inúmeros brasileiros e brasileiras. Mas, pelo cruel destino da violência, ela foi a vítima dessa vez. Por estar estudando, tentando melhorar seu futuro, fazer algo pelo país, até por aqueles que até ceifaram a sua vida, em um possível momento posterior. Após o homicídio ela se torna estatística para o Estado. Para a família, uma perda que jamais poderá ser superada. Para o país, mais uma forma de vergonha de sua situação civil.

goianiaO caso do assassinato de Nathália é mais um exemplo da banalidade em que se chegou a violência brasileira. Não se pode mais nem ficar até mais tarde estudando em uma biblioteca porque ao sair sua vida poderá ser ceifada sem motivo nenhum, com um celular como desculpa. Os criminosos não têm medo das consequências dos seus atos, pois há uma cultura de fazer sem pensar no dia de amanhã. Sem pensar no outro que foi assassinado, que teve sua vida perdida, que foi vitimada por um ato inconsequente e no mínimo egoísta. Sem pensar que era uma pessoa que queria salvar vidas, que desejava um futuro melhor.

sala de aulaO crime, que aconteceu a uma quadra do colégio Protágoras, onde Nathália estudava, pode ser mais uma notícia ruim que veicula no meio de tantas outras do jornalismo brasileiro, mas evidencia a tristeza de residir em um país onde derrama-se sangue inocente todos os dias e da mesmas maneiras, pelos mesmos motivos tolos, onde há a brutalidade até em sair do próprio colégio e voltar para a sua casa. A expectativa, obviamente, é a de que o crime não fique impune, mas que esse caso sirva como um alarde para a chocante violência brasileira. Que outros jovens, com o interesse em tentar mudar suas vidas e de inúmeras outras pessoas, possam estudar e voltarem para suas casas para poderem aprender um pouco mais no dia seguinte, sem se preocupar se poderão ou não fazer isso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *