A Dilma vai cair?

O segundo governo da Presidente Dilma iniciou-se acompanhado de uma severa crise política e econômica no Brasil. Após uma campanha eleitoral acirrada, cuja vitória foi conquistada com pequena diferença de votos e na qual prevaleceu a troca de acusações ao invés de um debate de ideias, juntamente com o acirramento dos ânimos conservadores nacionais e o fortalecimento do discurso de oposição, Dilma encontra-se em uma situação delicada, praticamente sitiada por tais forças e, pior, tem perdido a governabilidade. Assistimos hoje a uma presidente sem governo que luta, em meio a este cenário, para garantir a legitimidade de seu poder.

Em recente entrevista concedida ao site da BBC Brasil, o historiador Boris Fausto salienta que a crise atual, que tem na operação Lava Jato um de seus principais sintomas e até mesmo estopins, faz com que a situação da presidente seja ainda mais delicada que a do ex-presidente Fernando Collor quando de seu processo de impeachment, solução já demandada por segmentos da população descontente em recentes manifestações, mas ainda assim, longe de ser uma certeza e que, sobretudo, antes de ser exigida deve ser devidamente pensada.

Qualquer previsão em torno de uma possível queda da presidente é comparável, neste momento, a dar um tiro no escuro, por conta das divergências de interesses, de grupos e atores políticos. Seria, ainda, talvez, colocar o país em um processo de retrocesso político e democrático, de retorno de grupos conservadores ao poder, já historicamente conhecidos sem a garantia de solução dos problemas que o país enfrenta.

Obviamente, tudo o que está em jogo deve ser devidamente investigado. Garantir o funcionamento das instituições assim como da democracia deve ser o principal objetivo neste complexo cenário que enfrentamos.

Em artigo publicado no jornal Brasil El País, disponível para leitura na internet, Eliane Brum faz uma brilhante análise sobre o cenário atual e destaca problemas endêmicos da sociedade e da cultura brasileira os quais, certamente, não seriam resolvidos com uma possível queda da chefe do poder executivo. Pelo contrário, num possível cenário de queda da presidente, um Brasil ainda mais confuso e com um cenário tão crítico quanto, poderia emergir.

Dessa forma, as questões estruturais que tanto afligem milhares de brasileiros devem ser também transportadas para além do poder. Aqueles que lá nos representam, lá estão por escolha popular, porque lá foram postos porque para os diversos segmentos da população, são capazes de representá-los.

Há que se pensar o Brasil, antes da retirada de um poder legitimamente adquirido, de uma forma mais ampla. Há que se repensar a representação política que os brasileiros têm escolhido. É preciso, mais que uma transferência de poder, é preciso que a cena política e social, adquira uma nova face e como bem observa Eliane Brum, tenha coragem de se olhar no espelho.

 

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