Comissão do impeachment tem maioria que recebeu doações de empresas envolvidas na Lava Jato

A pressão frente ao governo da presidente Dilma aumenta a cada dia. Presenciamos nos jornais e meios de comunicação uma quase “guerra” conta o poder executivo brasileiro. E esse anseio pelo impedimento à presidenta é marcado por ação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o qual instaurou o pedido do impeachment e organizou uma Comissão do impeachment que serviria para averiguar as denúncias contra Dilma. No entanto, os eleitos para tal caso não parecem ser tão confiáveis assim, já que a comissão do impeachment tem maioria que recebeu doações de empresas envolvidas na Lava Jato.

Eduardo Cunha é o principal mentor da Comissão do impeachment

Eduardo Cunha é o principal mentor da Comissão de impeachment

A comissão do impeachment foi instaurada nesta última quinta-feira, 17, em uma eleição aberta no plenário da Câmara com um placar impressionante: 433 votos a favor e somente um voto contra. Com a aprovação da comissão especial, os partidos designaram quem seriam as pessoas responsáveis pelo estudo das denúncias contra a presidente. 65 nomes foram indicados na Câmara, com diferenças entre a quantidade de deputados federais, com partidos como PMDB e PT com maior número de deputados, 8, e o PSDB, com 6 deputados. Isso ocorre devido à proporcionalidade das bancadas.

Alguns deputados chegaram a receber quantias bem acima do normal em suas campanhas

Alguns deputados chegaram a receber quantias bem acima do normal em suas campanhas Comissão do impeachment

Entretanto, o que mais impressiona na seleção dos deputados não é o fato de serem deputados de uma legenda ou outra, mas suas participações com empresas investigadas pela Operação Lava Jato. Dos 65 deputados federais cotados para tal comissão, 40 receberam doações de empresas investigadas pela Polícia Federal ou por subsidiárias delas durante a última campanha eleitoral, em 2014. Os valores das doações recebidas está na casa dos R$ 10 milhões, com deputados como Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) com doações de R$ 732 mil. Vale lembrar que o deputado baiano é um dos mais favoráveis ao impeachment da presidente. Além disso, 4 dos 65 deputados são investigados na Operação Lava Jato.

Câmara indicou 65 senadores, mas mais da metade recebeu dinheiro de empresas ligadas à Lava Jato

Câmara indicou 65 senadores, mas mais da metade recebeu dinheiro de empresas ligadas à Lava Jato

Interessante notar também que aqueles partidos considerados como “nanicos”, como o PSOL, Rede, PV, PROS e PEN não apresentam um dos seus representantes indicados com doações de empreiteiras envolvidas no escândalo da multinacional brasileira. Deve ser por isso que ideias e propostas viáveis para a população brasileira sempre perdem para o dinheiro maciço investido em propaganda e em inúmeros meios de persuasão do eleitorado, mesmo que esse dinheiro esteja totalmente fora dos padrões éticos. Com isso, não é de se esperar que os mesmos políticos e a mesma corrupção que impera no país chegue ao fim em curto prazo.

A expectativa para dias melhores na política brasileira não é das maiores

A expectativa para dias melhores na política brasileira não é das maiores

Todavia, é esse o panorama que apresenta-se no país. Uma crise política longe de chegar a um fim, com a presença da corrupção por todos os lados da política brasileira, e quem vai julgar se há processos ilícitos no governo federal também envolvido em problemas com dinheiro “sujo” em suas campanhas. O panorama não é dos mais animadores, nem estará perto de ter um final feliz. Não é com o impeachment de Dilma que se chegará ao paraíso da política no país, nem se todos os deputados forem destituídos dos seus cargos. É necessário algo mais complexo, uma mudança na cultura brasileira, na forma de o povo informar-se, de ter um pensamento político mais firme, além das aparências e, assim, evitar ser manobrado de forma como acontece atualmente no momento em que é mais visto por políticos: o momento da eleição.

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