Calouros sofrem queimaduras durante trote em Rondônia

Todos os anos novos calouros entram em faculdades públicas e particulares de todo o país para começarem a trilhar seus caminhos profissionais.No entanto, a felicidade da aprovação para um curso concorrido em uma faculdade por diversas vezes é mitigada a partir do primeiro contato com as salas de aula do curso ou na primeira aula. Os protagonistas dos chamados trotes são veteranos que por inúmeras vezes não medem as consequências dos seus atos, acabando por colocar em risco a vida dos chamados calouros. Essa conhecida história de violência aconteceu novamente em uma universidade de Vilhena, em Rondônia.

trote 2Seis calouros do curso de engenharia agrícola da FAMA – Faculdade da Amazônia – tiveram queimaduras graves por todo o corpo depois de um violento trote na última segunda-feira, 15, e precisaram de atendimento médico. As queimaduras foram originadas por uma mistura de larvicida e creolina, altamente danosa à pele. Algumas vítimas tiveram queimaduras de 1º grau no tórax, no ombro e nas costas. Segundo informações das vítimas, o trote não era obrigatório, mas os veteranos estabeleceram que aqueles que não participassem da “iniciação ao curso” não poderiam participar das festas ao longo do curso. Dentre os calouros que sofreram a violência, três já registraram boletim de ocorrência.

troteMais do que uma prática nada racional e totalmente violenta, os trotes são muitas vezes crimes que são “descontados” de seu valor penal. Com a justificativa de uma interligação com os outros alunos, veteranos estabelecem pesadas “brincadeiras” de péssimo gosto contra os calouros, além de humilhações e de muitos outros problemas. Em inúmeras universidades os trotes são proibidos justamente por essa terrível forma de apresentação que os veteranos realizam, acabando por colocar em risco a integridade física e psicológica dos novos alunos e, em casos mais graves, até a morte em situações irreversíveis.

trote mortalUm caso mais antigo de trote que acabou de forma trágica foi a de um calouro de medicina da USP, em 1999. Edison Tsung Chi Hsueh, de apenas 22 anos foi encontrado morto em uma piscina após os veteranos terem jogado Edison na água, mesmo com o jovem afirmando que não sabia nadar. Quase 17 anos depois, os acusados de terem cometido o homicídio, hoje já formados, estão livres, responderam o processo em liberdade e dão brechas para que novas situações, semelhantes ao caso da USP, continuem acontecendo por todo o Brasil sem uma punição correta e efetiva.

trote solidarioAlgumas universidades realizam a campanha do trote solidário, no qual há ações muito positivas, como a doação de sangue ou o apoio a instituições de caridade. São essas as atitudes que devem ser advindas dos veteranos, visto que brincadeiras de gosto duvidoso não levam ninguém a nada, ou somente a malefícios e até a morte. A universidade é um passo de muita responsabilidade e visualizar isso através de um trote solidário deveria ser o mínimo para aqueles que são responsáveis por realizar a “chegada” dos calouros. O exemplo de Rondônia serve como tentativa de extinguir em todo o Brasil essa péssima forma de brincadeira e que infelizmente ainda é algo rotineiro,assassino e humilhante em boa parte do país.

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