Algumas lições que o Brasil pode aprender com o Oriente Médio. Isso mesmo.

Analisar a história do Oriente Médio requer um afastamento de conceitos pré-estabelecidos. A cultura brasileira ainda é diretamente influenciada constantemente pela norte-americana ao modo de interpretar outros países e regiões. É justa a extrema cautela a ser tomada ao mencionar tão polêmico tema? Podemos acreditar (e mesmo estarmos certos) que não. Todavia, também não deve fazer com que vendemos os olhos e ignoremos o que faz parte da história mundial contemporânea. Além disso, devemos ter a consciência de que nem só de prosperidade se fazem exemplos. Mas devemos nos questionar também qual é a base para considerarmos algo positivo.
E o que podemos usar de referência do Oriente Médio então? De casos de violência já estamos saturados, temos a nossa com diferentes raízes, como a extrema desigualdade social, racismo, machismo, distúrbios psicológicos não tratados, e por que não, a ilusória ideia de ascensão promovida pelo tráfico e meliantes, não é? Pois bem, mesmo disso, temos o primeiro referencial: As raízes da violência no Brasil são mais facilmente contornáveis. E o primeiro fator que embasa isso são as próprias razões da violência: No Oriente Médio, as raízes estão na tríade políica-religião-nacionalidade, enquanto no Brasil, as supra-citadas são mais “táteis” para a população, não deve ser tirada a responsabilidade do governo, mas o povo tem muito maior poder de reverter o quadro.
Outro ponto? Precisamos valorizar nossos produtos de importação. Como mencionado na obra “Ferida Aberta: O oriente médio e a nova ordem mundial”, de Jayme Brener, nas monarquias petrolíferas (Arábia Saudita, Kuwait ou emirados do golfo Pérsico), por mais que elites ainda se apropriem com lucros da venda do petróleo, um estudante saudita, por exemplo, pode receber um salário pago pelo Estado. No Brasil, produzimos muito para a exportação, mas ainda contamos com preços altíssimos para o consumo do próprio brasileiro. Uma boa demonstração disso é o nosso próprio petróleo. Por que um dos poucos países que extraem ele podem ser assim de tão grande decadência? Será que o nosso leão dos lucros é melhor alimentado do que em outras nações? Ou pura negligência dos nossos governantes que temem tomar medidas mais protecionistas?
Não devemos ter medo de elaborar comparações com outros países, todos enfrentam problemas. O que deveríamos temer é que mesmo com o povo conseguindo se tornar mais consciente apesar de tantas barreiras, ainda não consiga mudar efetivamente as decadências brasileiras.

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